sábado, 26 de dezembro de 2009

Porque, que gente há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o chamamos? (Deuteronômio, 4:7)

Sou sociólogo, já disse isso algumas vezes, mas, gosto de ressaltar porque é importante lembrar sempre de onde vim e de qual foi o meu caminho para chegar até aqui. Nós, como cientistas sociais, buscamos enxergar a realidade social através de análises que tentam desvendar o que está por trás das aparências. Por isso, por detrás de, por exemplo, todo culto religioso, tentaremos interpretar quais as relações sociais que existem entre os fiéis, entre os sacerdotes, que tipos de relações de autoridade se configuram entre estes dois atores, quais os fundamentos simbólicos daquele culto, qual a origem de sua simbologia, qual a relação daquela confissão religiosa com a realidade social mais abrangente e outras milhões de questões que podem ser levantadas. E, todas, afirmo, são muito válidas. As coisas dos seres humanos devem ser entendidas, interpretadas e analisadas com toda a dedicação e capacidade que temos. É lícito, justo e necessário que saibamos a origem e os destinos possíveis pelos quais nossas relações sociais podem nos levar. Aliás, eu tento usar isso até mesmo em minha tarefa de consultor de RH, analisando as relações entre as lideranças, o clima organizacional, a cultura da empresa, etc.
Conto isso porque, quando aceitei Jesus, a parte mais difícil de meu processo de conversão foi contar para meus amigos sociólogos a minha nova condição. Eu dizia (e eles confirmavam) que seria mais fácil contar que eu descobri que era gay, ou que estava largando tudo para morar com os sem-terra, ou que tinha me convertido a alguma religião mística do oriente. Até hoje não sei o quanto todos aceitaram minha conversão, mas, a convicção que tenho em mim de que estou no caminho certo faz com que isto não seja muito importante. Amo todos os meus amigos, mas, amo muito mais ao meu Deus.
Esta difícil aceitação da fé evangélica vem de um preconceito com relação a nós que eu situo em duas esferas: uma humana e outra espiritual.
O preconceito do lado humano está ligada ao fato de encontrarmos líderes religiosos com comportamentos não aprováveis, sobretudo com relação ao destino que dão às ofertas que levamos à Igreja. São escândalos que, claro, envergonham os fiéis, mas, de maneira alguma invalidam a fé.
Eu teria muito o que falar sobre este assunto, mas, seriam apenas opiniões pessoais e não o foco da Palavra que se abriu para mim, então, paro o assunto (quem sabe um dia ainda volte a ele) e passou para o outro campo onde se dá o preconceito, que é a esfera espiritual.
Muitas pessoas não aceitam a forma como louvamos a Deus. Uma amiga, uma vez, comentou "puxa, eu acho engraçado como você fala de Deus". Ela estava falando sobre a forma como nós nos dizemos que falamos com Deus (pela oração) e que ouvimos Deus (pela Palavra). Ela, na ocasião, disse esta frase com boa intenção, mas, a maioria das pessoas enxergam a nossa espiritualidade como um fanatismo.
Uma outra vez, alguém me disse que não entendia como eu podia dizer que Deus responde da forma como eu digo que Ele responde, pois, ela conhece muitas pessoas que têm tanta fé quanto eu e, no entanto, vivem na miséria. Eu argumentei que, cada caso é um caso e não caberia a mim julgar a fé destas pessoas, mas, cabe um questionamento: como saber se ela tem, realmente, tanta fé quanto eu?
Dizemos que as pessoas têm fé ou não por conta daquilo que vemos ela fazendo, porém, muitas vezes, nossa idéia de fé está em desacordo com o que a palavra de Deus nos diz. Sobretudo em um país miscigenado como o nosso, é comum vermos pessoas que se dizem com fé, mas, ao analisarmos mais de perto, não enxergamos nelas nada daquilo que a Bíblia ensina. É comum vermos pessoas depositando sua fé em coisas que não estão descritas na Palavra. É comum, ainda mais, pessoas dizendo que têm a sua própria forma de espiritualidade (o que quer dizer, na maioria das vezes, que a pessoa pegou um pouco daquilo que acha bom em cada religião do mundo, juntou tudo, e acha que isto é fé).
A Palavra de Deus diz:

26 Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.
27 E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniqüidade. (Lucas, 13, 26 e 27)

Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. (Provérbios, 14, 12)

Nestas duas passagens temos explicações para muito do que vemos de engano nas pessoas. Muitos pensam estar fazendo a coisa certa, estar "na presença de Deus", mas, estão no "caminho da morte".
A palavra de Deus é libertadora porque ela SEMPRE nos mostra e nos corrige para o caminho certo. Ela nos revela a NOSSA responsabilidade sobre aquilo que está acontecendo em nossa vida. E, mais do que mostrar, ela indica qual o caminho que, então, devemos seguir para alterar o resultado daquela situação. Se fizermos a nossa parte, temos por garantia que Deus fará a Dele.
O Salmo 145, versículo 18 diz o seguinte:
"Perto está o SENHOR de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade."
Aí está a razão daquilo que chamam de "fanatismo" em nós. Nós invocamos a Deus em VERDADE e não como uma crença ou algo abstrato. Quando oramos, não estamos "imaginando" que estamos falando com Deus. Estamos FALANDO com Deus e, por isso, Ele nos responde. Imagino que seja por este motivo que a Bíblia nos isente de qualquer tipo de ritual ou da necessidade de imagens. Se precisamos de uma imagem para nos lembrar de Deus, então, Ele não está de VERDADE em nosso coração. E, quanto ao ritual, uma passagem muito interessante é a seguinte:

Isaías, 38:

1 ¶ Naqueles dias Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; e veio a ele o profeta Isaías, filho de Amós, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás.
2 Então virou Ezequias o seu rosto para a parede, e orou ao SENHOR.
3 E disse: Ah! SENHOR, peço-te, lembra-te agora, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo.
4 Então veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo:
5 Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos.

Que ritual foi necessário para Deus ouvir ao rei Ezequias? Ele, simplesmente, virou para o lado, virou para a parede, provavelmente apenas para que pudesse concentrar-se mais ainda em sua oração, para não ter mais nada para onde olhar, nada que o pudesse distrair de Deus e, orando com fé - em verdade -, foi ouvido.

Para não ficar apenas no velho testamento, eis uma passagem do Evangelho que confirma o que estou dizendo:

"Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (João, 4:24)

É como dizer que, se fizessem uma ressonância do cérebro de uma pessoa que ora, as partes em atividade no cérebro não fossem as da imaginação, mas, as da sociabilidade. Em oração, estamos na PRESENÇA do Senhor.
E, dado este primeiro passo, entrar em Sua presença, saber que Ele está perto, então, temos que crer naquilo que está expresso no Salmo 119, 151: "Tu estás perto, ó SENHOR, e todos os teus mandamentos são a verdade."
Ou, no que está em Lucas 21, 33: "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar."

Quer dizer, o primeiro passo é falar com Ele, pois, Ele existe. E, o segundo, é aceitar a Sua resposta como verdadeira. Suas palavras não hão de passar, ainda que céus e terra passem, ou seja, ainda que tudo o que você pode tocar e ver diga que não, creia na Palavra de Deus e, assim, alcançará a bênção que deseja.
Questionam alguns "ah, então, quer dizer que para os crentes não existem dificuldades?". Digo: não, não é isto que quero dizer. Na vida de todos os que estão no mundo estarão presentes as lutas, porém, para a vida daqueles que crêem no poder de Deus, está garantida a vitória - neste reino e, principalmente, no reino de Deus.

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